segunda-feira, 12 de maio de 2008

WebGoat 5.1 em Português


No último final de semana consegui finalmente terminar a tradução do WebGoat 5.1 (Versão em Inglês). Foram 4 meses aproveitando o tempo de saguão de aeroporto, o próprio vôo, além daquelas situações onde a cabeça só aceita uma atividade mecânica. Foram cerca de 14o arquivos (vide imagem) distribuídos dentre plano da lição, dicas e soluções.

Para quem não conhece, o WebGoat é um site que coleciona um conjunto de páginas com vulnerabilidades divididas por algumas categorias, cujo intuito é de ensinar na prática qual o risco de desenvolver aplicações sem o compromisso com a segurança. Cada página possui um objetivo de ataque específico, descrito pelo plano da lição. Outros elementos, como por exemplo, as dicas permitem que o público adquira gradativamente os conhecimentos necessários para a efetivação de ataque a aplicações web.

Essa iniciativa vem a somar ao trabalho empenhado pela OWASP no sentido de divulgar informações sobre o desenvolvimento de aplicações com segurança. No que tange ao capítulo Brasil, soma-se as ações de tradução dos documentos para o português brasileiro. Tenho observado por onde passo, que ainda é muito grande a ignorância sobre a questão da segurança no desenvolvimento, e essa iniciativa procura diminuir uma das barreiras, o idioma.

Faça o download da versão de instalação aqui. Em breve tudo estará consolidado na página do WebGoat mantida pelo coordenador desse projeto, Bruce Mayhew.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

O Impacto do PCI no Mercado

Para quem não conhece o PCI (Payment Card Industry) Standard, como o nome sugere é um padrão que a indústria que processa informações de cartões de crédito é obrigada a seguir. O padrão está organizado em 12 seções em um documento de 16 páginas (aqui). Para efeito da segurança de software, os itens seguintes são os mais relevantes:

6.5 Desenvolva todos os aplicativos de web baseados em diretrizes de codificação seguras tais como as diretrizes do Open Web Application Security Project. Revise o código dos aplicativos customizados para identificar as vulnerabilidades do código. Verifique a prevenção das vulnerabilidades mais comuns no processo de desenvolvimento dos códigos dos softwares para
incluir o seguinte:
6.5.1 Input não validado
6.5.2 Quebra do controle de acesso (por exemplo, uso desonesto dos IDs dos usuários)
6.5.3 Quebra da administração de autenticação/sessão (uso das credenciais da conta e
cookies da sessão)
6.5.4 Ataques ao cross-site scripting (XSS)
6.5.5 Overflow do buffer
6.5.6 Defeitos de injection (por exemplo, structured query language injection (SQL)
6.5.7 Administração incorreta dos erros
6.5.8 Armazenagem insegura
6.5.9 Recusa de serviço
6.5.10 Administração de configuração insegura.

6.6 Assegurar-se de que todos os aplicativos que funcionam por meio da web estejam protegidos
contra ataques conhecidos através dos seguintes métodos:
• Ter todos os códigos de aplicativos customizados revisados para vulnerabilidades comuns através de uma organização que se especialize em segurança de aplicativo
• Instalar uma camada de aplicativos (application layer) de firewall na frente dos aplicativos voltados para a web
Nota: Este método é considerado uma melhor prática até 30 de junho de 2008, e depois dessa data se tornará uma exigência.

Apesar da gama de preocupações abordada pelo modelo, o ponto de maior impacto neste momento vem na nota de duas linhas no final da seção 6.6. Pois a partir de junho próximo, toda entidade que ofereça software que trabalhe com informação de cartões será obrigada a utilizar as ferramentas especificadas por essa seção. Até agora o resultado mais evidente é a luta dos fornecedores para colocar seu produto no mercado (A Cicso é a última), ou se aliar com diferentes fornecedores para tentar oferecer a melhor solução (aqui). É provável que o resultado que mais nos interessa (software seguro) seja uma consequência natural disso e que outros negócios sejam influenciados pelos resultados dessa obrigação imposta pelo PCI. Veremos!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Terceirização de Software Seguro

É comum encontrar o cenário onde o contratante e o contratado em uma relação de terceirização nunca ouviram falar em software seguro e isso reflete diretamente nos aspectos legais entre as partes. Porém, algumas organizações já se encontram preocupadas sobre como estabelecer parâmetros legais que façam com que o negócio considere oficialmente a segurança no desenvolvimento, e permita às partes se comprometerem de fato.
Navegando pelo site da OWASP encontrei uma sugestão de minuta de contrato (aqui) que pode ser fonte de inspiração para as empresas que desejarem incorporar em seus contratos esse tipo de obrigação.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

(In)Secure Magazine - Abril - 2008

A revista eletrônica, (In)Secure magazine de Abril traz um artigo que muito interessante sobre o desenvolvimento seguro "Producing Secure Software With Software Security Enhanced Processes" elaborado por Marco Morana. O artigo, além de discorrer sobre a abordagem mais defendida hoje para tratar do desenvolvimento de software seguro (segurança desde o princípio, faz ainda uma comparação muito rica sobre as propostas de segurança em processo mais difundidas hoje: MS-SDL, CLASP, Pontos de controle da Cigital.
Vale observar que a revista possui vários outros artigos relacionados a segurança. Vale a pena conferir.

sexta-feira, 28 de março de 2008

O Que Esperar Fortify Souce Code Analyzer?


No final de março, tive a oportunidade de fazer o curso de auditor de código fonte com o Fortify Source Code Analyzer oferecido pela própria Fortify. O curso foi realizado em Denver no Colorado. A cidade, além de ser muito charmosa, fica bem próximo de Aspen. Foi uma pena não ter tido mais tempo para aproveitar esse outro lado.

Voltando ao curso em si, a turma era formada por oito pessoas. Todos inexperientes com a ferramenta. A maioria com experiência em desenvolvimento e em segurança no geral. Vale ressaltar que a Systest foi a empresa com mais participantes, quatro pessoas. O curso foi ministrado por Su Gaustad, cujo conhecimento acerca de desenvolvimento seguro e do uso do Fortify SCA impressiona, sua habilidade para lidar com o público também.

O Fortify SCA é um analisador estático de código fonte, cuja inteligência se resume nas regras desenvolvidas pela Fortify para encontrar furos de codificação, distribuídas dentre as seguintes abordagens de análise:
  • Estrutural - Detecta uso de funções e APIs potencialmente perigosas.
  • Semântica - Detecta furos potencialmente danosos na estrutura ou definição do programa. Por exemplo, uma atribuição de variáveis em Servlets, uso de loggers que não são declarados como static final.
  • Fluxo de Controle - Detecta sequência de operações potencialmente perigosas. Isso remete à visualização análise de sequência de execução das operações, para verificar se alguma delas a aplicação é exposta a vulnerabilidades. Ex. Abrir uma conexão com banco de dados e não fechá-la, pode expor a aplicação à uma sobrecarga por não alocação de recursos.
  • Fluxo de Dados - Detecta potenciais vulnerabilidades relacionadas a dados de entrada em processamento no software. Isso pressupõe uma análise inter-procedural, o que significa que suas regras são capazes reconhecem falhas de um dado recebido por um método, que é passado para outro método e lá sim, que ele oferece risco de se tornar uma vulnerabilidade explorável. Ex. Parâmetro de nome de arquivo recebido por um método é passado como parâmetro para outro método, que faz uso de strcopy para copiar o conteúdo de tal parâmetro para um buffer.
  • Configuração - Localiza erros, pontos frágeis e violação de políticas nos arquivos de implantação da aplicação. Por exemplo, a connectionstring com parâmetros de usuário e senha no Web.Config em aplicações ASP.NET.
  • Agrega a análise do FindBugs.
Seu processo de análise é organizado em três fases complementares:
  • Tradução - onde o código fonte é recolhido segundo uma série de comandos e traduzido em um formato intermediário, que é associado à um BuildID (identificador do projeto em análise).
  • Análise - compreende a busca por vulnerabilidades e análise de acordo com as regras descritas anteriormente.
  • Verificação - garantia de que a análise foi realizada de acordo com as regras e seu resultado informa erros significativos.
Suporta as linguagens comercialmente mais utilizadas (Java, .NET, PHP, ColdFusion, JavaScript, PL-SQL), integra-se com as principais IDEs (Eclipse, Visual Studio 2003/05), como foi desenvolvido em Java, funciona em toda plataforma que suporte a JVM. É facilmente integrada com o ANT também.

Suas regras de análise (rulepack) são propriedade intelectual da Fortify e estão debaixo de forte critptografia. Seu acesso é dependente da manutenção da assinatura anual pelo seu uso. O que significa que, além da licença, é necessária a assinatura para usar o rulepack. Apesar de altamente não recomendado, a ferramenta permite ainda que sejam elaboradas regras próprias para as análises. Prepare-se pois a tarefa é de alta complexidade. Daí a razão da Fortify se disponibilizar a customizá-las, tão logo a necessidade seja indentificada pelos seus clientes, e devolver no rulepack.

Pela consistência dos resultados apresentados pelas análises (falso positivo/negativo) usando o SCA ao longo do curso, pela forma didática como ela os apresenta, bem como as facilidades proporcionadas para o auditor, percebo que essa ferramenta tem espaço garantido quando se tratar de ciclo de desenvolvimento seguro. Infelizmente, não conheço os detalhes do principal concorrente Ounce 5, para poder compará-las e desconheço também qualquer detalhe sobre os custos associados à sua arquisição/manuteção (pergunte à LeadComm), mas tenho a impressão que seu mercado é bem restrito.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Software Seguro sob a Perspectiva de Negócio

Desenvolver software seguro pressupõe um investimento adicional ao já oneroso ciclo de desenvolvimento de software. Essa realidade faz com que os executivos tradicionais tentem ignorar esse assunto o quanto podem. Esse "até quando podem" se traduz em perdas econômicas causadas por processos judiciais relativos à quebra de confidencialidade e outras violações, degradação da imagem, perda de mercado, etc.

O investimento em segurança no desenvolvimento é uma viagem obrigatória, com apenas estação partida, que toda organização, cujo negócio é software, se ainda não entrou, terá que entrar. Essa obrigatoriedade está diretamente ligada à curva crescente de perdas causadas por exploração de falhas de segurança.

Essa viagem está obviamente muito mais avançada nos EUA e países, cujo rigor com questões de segurança é maior. No Brasil, por exemplo, a onda de busca de soluções de segurança para atenter o padrão PCI (Payment Card Industry), mais especificamente o item 6, parece ainda nem ter começado. E veja você, que o uso de algumas alternativas para segurança no ciclo de desenvolvimento, como análise estática de código, firewall de aplicação sairão do status de recomendação no PCI para obrigatório em julho/08.

O mercado americano mostra boas perpectivas acerca dessa mudança de mentalidade, basta observar os movimentos das empresas, como por exemplo, a integração entre Sentinel (scan) da WhiteHat com o Ounce 5 (source code analyzer) da Ounce Labs e outros. Obviamente, eles estão prevendo alta demanda à caminho.

Voltando à questão do negócio em si, hoje as organizações (pelo menos as grandes) já reconhecem a importância de desenvolver software com segurança desde o princípio, e que o custo dessa alternativa é, sem dúvida, menor que os custos associdos à incerteza sobre o nível de segurança do produto final. Essa percepção sobre o nível de segurança é diretamente influenciada pelas evidências de ações de segurança recolhidas ao longo do desenvolvimento. Cita-se, como exemplo, os touch points da Cigital.

Não há outro elemento mais importante na segurança do que o recurso humano, quer seja no desenvolvimento ou na operação. Acontece, que as instituições de ensino em geral, continuam a não dar tanta importância ao assunto de software seguro. Quem paga a conta está começando a agir para mitigar esse problema. Como? Solicitando oficialmente às universidades para que ensinem seus alunos como desenvolver com segurança.

Para finalizar, fica destacado que a segurança no desenvolvimento não deve ser o objetivo de negócio de nenhuma organização (exceto àquelas onde esse é o negócio em si), mas que seu resultado pode suportar ou não os objetivos de negócio dela. Com essa mentalidade, a resistência a embarcar dessa viagem passa a ser dirigida pela análise de risco e custo da oportunidade.

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Vale a pena assistir o podcast do McGraw com Mary Ann Davidson, CSO da Oracle.

terça-feira, 11 de março de 2008

RUP + Ounce 5. Será que emplaca?

Como era de se esperar as empresas já começam a se mobilizar para oferecer soluções de segurança para o desenvolvimento de software seguro. Quando digo soluções, me refiro ao uso integrado do ferramental disponível para habilitar de fato o desenvolvimento de software seguro.
A IBM e a Ounce Labs estão trabalhando em conjunto para que o RUP incorpore a abordagem de desenvolvimento de código seguro amparado por ferramenta de análise estática, o Ounce 5.

Particularmente, vejo duas alternativas para que as organizações comecem de fato a investir na segurança de software ao longo de seu ciclo de desenvovimento. A primeira via decreto (PCI, HIPAA), ou se enquadra ou "pede pra sair". A segunda é a partir do surgimento de propostas que facilitem a absorção da mudança causada por um ciclo de desenvolvimento que pressupõe segurança. Porque isso é determinante na análise de risco (de negócio) na hora de considerar tal alternativa.

Jogada de mestre. O processo mais usado se integrar com umas das ferramentas de análise estática mais usadas. Vamos ver se emplaca!

Como farei o curso de auditor pela Forify na semana do dia 23 de março, acredito ter mais informações sobre como ela se coloca diante desse cenário.

Para mais informação sobre análise estática para segurança sugiro o livro do Brian Chess: Secure Programming with Static Analysis.